
Somos nós seres imaculados, únicos em juízo e de franca opinião. Dotados de inteligência, analisadores do nosso próprio cosmos e criativos por génese natural. Análogos de feição, diferenciados uns dos outros mas de igual ajuização.
Diz a ciência que somos como somos devido à herança genética, às experiencias vividas e ao estilo de vida que levamos. Somos portadores de um desigual carácter. Somos únicos, mas não especiais. Sete mil milhões. É este o número arredondado de habitantes terrestres.
Cada um com a sua visão. Cada um com uma cultura, um estilo de vida próprio, uma personalidade e um juízo sobre o que vê e ouve. Todos têm a sua própria verdade do juízo que escolheram, baseado no seu aprender, na sua experiencia, na sua análise e na projecção do seu futuro. Não há bons e não há maus, todos têm ambas partes, manifestadas ao longo da sua vida e no decorrer da sua existência.
Herdamos a sociedade em que nascemos. Não a escolhemos. Estudamos a nossa história, as doutrinas que nos comandam, as religiões que nos escravizam e as pessoas que nos magicam. Estranhamos, opomo-nos, contestamos e depois aceitamos.
Criticamos o que gostamos e criticam-nos o que não gostamos. Aqui somos livres, democráticos e com voz para idealizar. Ou talvez não, pois de certa forma pensamos o que os outros irão pensar, como será e o que sucederá. Uns têm muito a ganhar com o hastear da bandeira de uma ideia e outros muito a perder. Alguns não têm nada.
O juízo que todos têm é correcto e imperfeito. Uns são do sul, uns do norte e outros do litoral. Preto, branco, cristão, judeu, trabalhador ou chupista social. Várias realidades, um juízo para todos. Não se agrada a inteira multidão.
A crítica dos juízos dos outros reflecte aquilo que nós somos. O juízo nada mais é que a lógica da razão.








