HAITI
Depois de uma catástrofe social e depois sísmica de um país tão pobre como o Haiti surgem agora à tona novas desgraças. O cheiro da morte continua no ar. Doenças escondem-se por detrás de cada escombro. A fome cresce. A fúria cresce com ela. Não é um cenário que seja possível imaginarmos pois é distante e sentimo-lo como sendo de outro mundo. Mas, como afirmou o jornalista Luís Costa Ribas: “…o inferno não é pior do que o que se vive ali…”.
A cada momento novos sismos vão recordando que o pouco que ficou em pé também tombará e quem não morreu também morrerá. A fragilidade é inimaginável. O estado daquelas pessoas ultrapassa o limite do que nós aguentaríamos. Mas eles nasceram pobres e isso é também a sua salvação no desespero de nada ter.
Nós continuamos aqui, quentinhos, a almoçar e a jantar, a falar bem e mal do que vemos e lemos e a dizer a cada instante “coitados”.
Mas no meio de tanta desgraça há também casos de sucesso. Mais de uma centena de feridos foram resgatados dos escombros. Milhares de pessoas já contribuíram de forma indirecta com ajudas financeiras, outros milhares foram dar o corpo ao manifesto e de forma activa participam nos resgates, na ajuda médica, na segurança, na alimentação e no apoio psicológico que tanta falta faz.
Há agora mais trezentas mil crianças órfãs, juntamente com os que já existiam contam-se já meio milhão. A boa notícia é que alguns estão já em processo de adopção por casais norte-americanos, mas muitas ficarão sozinhas, a comer os restos dos restos e com uma esperança de vida de poucos anos ou poucos meses.
E se um casal de homossexuais, dois homens ou duas mulheres, quiserem partilhar a sua boa qualidade de vida, o seu carinho e o seu amor, provavelmente ninguém deixará. Preferirão muitos deixar as crianças no lixo, a morrer de fome, doenças ou outro qualquer tipo de morte sofrida, a ultrapassar preconceitos primitivos mas actuais.
Uns vivem no luxo, outros no lixo…
Janeiro 22, 2010 às 7:55 pm
Oh Filipe, este mundo está caótico, valores completamente deturpados, tradições idiotas, princípios invertidos.
Segundo estes senhores que são contra a adopção de crianças por casais homossexuais, é preferível que as criancinhas morram de fome, andem nas ruas, sejam violadas, andem de casa em casa, do que correrem o risco de outras criancinhas na escola lhes dizerem “olha, o filho dos paneleiros” ou PIOR, o risco de a criancinha ficar confusa e se transformar num homossexual!! Achas que podemos correr esse risco? Porra, mais vale andar nas ruas a pedir, ou morrer de frio debaixo duma ponte, ou ficar num orfanato a infância toda! Não achas???
Por isso te digo, que venha o pré 2012… olho à minha volta e vejo tudo tão trocado, que entendo que venham mil ondas e nos levem daqui…
Eu arrisquei hoje, depois de meses, em ver a abertura do telejornal, e foi a última vez. Deram um tiro a dois homens no Haiti que levavam um saco de um cereal qualquer. Um dos homens no chão, a morrer, nos últimos suspiros de vida, e a câmara sempre a filmar… deixar a câmara e ir ajudar? Porra… o que importa é o realismo, mostrar ao mundo, sim, porque isso realmente muda tudo! BAH!
All i want is love… (STAESVA) and all i wish for all is love…
Janeiro 30, 2010 às 11:22 pm
Já vi que o Fisbas voltou a escrita!
Claro que existe neste artigo uma mistura de preconceitos sociais aliados a uma voraz comunicação social.
É lamentável a falta de cobertura em meios de acção social no Haiti e o excesso de cobertura dos mass-media. O capitalismo e o consumismo em acção.
Neste momento tenho dúvidas que Portugal esteja social e culturalmente preparado para a adopção de crianças por parte de casais homossexuais. A opressão psicológica a qual ditas crianças seriam sujeitas, poderá ter um efeito ainda pior que a fome. A falta de disciplina, a violência e a pressão psicológica é uma realidade instalada nas nossas escolas e crianças negras adoptadas por casais homossexuais seriam alvos preferenciais dos gozões.
Não me parece que exista uma relação directa entre os dois assuntos, mas na realidade são dois assuntos que levantam muitas questões.
Abraço