Não me apetece…

Posted in Khritiké with tags on Fevereiro 9, 2010 by fisbas

 

Todos os dias temos as nossas rotinas e há dias mais rotineiros que outros, isto é, fazemos tudo automaticamente, quase sem ter de pensar no que fazemos. Exemplo dessas coisas é por exemplo vestirmo-nos, ou ainda melhor, conduzir. O acto da condução é algo impressionante, mal obtemos a licença de condução sentamo-nos no carro, abanamos o manípulo das mudanças, ajeitamos o banco, olhamos para o retrovisor ajustando-o e num acto de algum medo ligamos a ignição. Depois de fazermos esta rotina duzentas vezes já podemos entrar de olhos fechados no carro e colocá-lo em funcionamento. Depois convém abrir os olhos para andar com o carro…

Hoje abri o blog e num acto rotineiro comecei a escrever. O problema é que não me apetece escrever nada e portanto torna-se complicado. Simplesmente não quero pensar. Ao mesmo tempo quero reclamar pelo meu novo artigo e quero escrever o que me passa pela cabeça, que é o facto de “não me apetecer” fazer nada. É irónico este pensamento contraditório, mas ao mesmo tempo o texto vai crescendo quase sem eu dar por isso.

Acho que o que posso retirar de tudo isto é que, apetecendo ou não, com mais ou menos preguiça as coisas vão-se fazendo. Tudo num piscar de olhos.

Não me apetece escrever mais…

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HAITI

Posted in Khritiké with tags , , , on Janeiro 21, 2010 by fisbas

Depois de uma catástrofe social e depois sísmica de um país tão pobre como o Haiti surgem agora à tona novas desgraças. O cheiro da morte continua no ar. Doenças escondem-se por detrás de cada escombro. A fome cresce. A fúria cresce com ela. Não é um cenário que seja possível imaginarmos pois é distante e sentimo-lo como sendo de outro mundo. Mas, como afirmou o jornalista Luís Costa Ribas: “…o inferno não é pior do que o que se vive ali…”.

A cada momento novos sismos vão recordando que o pouco que ficou em pé também tombará e quem não morreu também morrerá. A fragilidade é inimaginável. O estado daquelas pessoas ultrapassa o limite do que nós aguentaríamos. Mas eles nasceram pobres e isso é também a sua salvação no desespero de nada ter.

Nós continuamos aqui, quentinhos, a almoçar e a jantar, a falar bem e mal do que vemos e lemos e a dizer a cada instante “coitados”.

Mas no meio de tanta desgraça há também casos de sucesso. Mais de uma centena de feridos foram resgatados dos escombros. Milhares de pessoas já contribuíram de forma indirecta com ajudas financeiras, outros milhares foram dar o corpo ao manifesto e de forma activa participam nos resgates, na ajuda médica, na segurança, na alimentação e no apoio psicológico que tanta falta faz.

Há agora mais trezentas mil crianças órfãs, juntamente com os que já existiam contam-se já meio milhão. A boa notícia é que alguns estão já em processo de adopção por casais norte-americanos, mas muitas ficarão sozinhas, a comer os restos dos restos e com uma esperança de vida de poucos anos ou poucos meses.

E se um casal de homossexuais, dois homens ou duas mulheres, quiserem partilhar a sua boa qualidade de vida, o seu carinho e o seu amor, provavelmente ninguém deixará. Preferirão muitos deixar as crianças no lixo, a morrer de fome, doenças ou outro qualquer tipo de morte sofrida, a ultrapassar preconceitos primitivos mas actuais.

Uns vivem no luxo, outros no lixo…

BALANÇO

Posted in Khritiké with tags , , , on Janeiro 18, 2010 by fisbas

É um facto que o ser humano tem um peso neste planeta. É uma verdade incondicional de que tudo à nossa volta, desde a nossa casa, à nossa cidade, país, continente, floresta ou oceano, é alterado para satisfazer o nosso granjeio. E poderia ser de outra forma? Não.

A mensagem é negativa não porque sou pessimista mas sim porque a minha visão é de realidade aceitável e de puro pacto com a natureza das coisas. Digamos que é um optimismo com os pés no chão.

A nossa efemeridade é realmente como o pó, e  biblicando um pouco podemos dizer que “nascesmos pó e em pó nos tornaremos”. Não há frase que sumarie melhor o que me passeia pela mente.

Somos pequenos. E isso deveria estar sempre presente em nós. Mas deveria também estar presente que a nossa pequenez toda junta, multiplicada por quase sete mil milhões de almas se torna numa grandeza colossal que torna tudo muito diferente. Nestas circunstâncias percebemos que se cada um de nós deitar para o mar um saco de plástico, utilizando alguma da matemática herdada, dá a módica quantia de sete mil milhões, aproximadamente. Estão a ver o poder da coisa não estão? Da mesma forma, se cada alma colocar um cêntimo na minha conta bancária, eu ficaria extremamente rico e todos vocês nem dariam pela dádiva. Como é óbvio não necessito do vosso cêntimo, mas agradeço se pensaram em fazer essa caridade.

Posso então oferecer, a partir desta ideia, uma reflexão: se todos dermos um cêntimo conseguiremos acabar com a extrema miséria e desgraça que se passou no Haiti, o local mais necessitado do momento. Mas não esqueçam que este é um local pobre e mísero como muitos outros, que mais tarde ou mais cedo também serão devorados pela comunicação social e acordará a gigantesca maquina chamada ajuda humanitária.

De momento é necessário suprir as necessidades básicas que tantos milhões ainda não têm e o qual nós devemos partilhar, não como quem dá ao pobrezinho, mas sim como afortunados com o dever de equilibrar a balança. O mundo precisa de nós.  

Amigos de amigos de amigos… que são inimigos

Posted in Khritiké with tags on Janeiro 15, 2010 by fisbas

Numa era em que a informação é rainha do mundo, as redes sociais dominam o quotidiano de quem se quer manter ligado e tudo parece ser instantâneo, eis que os velhos costumes e as arcaicas formas de socializar se valorizam cada vez mais. A amizade, partilhada por um grupo de pessoas é a forma de proximidade mais intimista, conhecedora do nosso ente homólogo e de quem necessitamos por inúmeras razoes. Entre elas está a partilha de experiencias, a companhia, uma mão amiga nas boas e más ocasiões e um sentimento profundo que se sente mas que não se escreve de forma que se perceba na sua plenitude. Basta apenas dizer que a amizade é tão importante que há quem morra por ela – sendo estes casos de uma demonstração sem igual do apreço pelo próximo. Disse Cícero que dos amores humanos, o menos egoísta, o mais puro e desinteressado é o amor da amizade.

Mas no meio desta amálgama de amizades deixamo-nos muitas vezes levar pela fantasia de que uma amizade nunca tem nada por trás. Há, no entanto, planos, conspirações e tentações demoníacas que quebram as amizades, entre eles estão, como denominou um sacerdote e mais tarde reformulou o Papa Gregório I, os sete pecados mortais. Para que se entenda o que quero dizer recorro a um ditado muito antigo: “se queres perder um amigo empresta-lhe dinheiro”. Isto nada mais é do que um “pecado mortal”, que me deixa sempre a pensar no valor que as pessoas dão às amizades, mas que faz todo o sentido se pensarmos que o dinheiro na vida é tudo, podendo-o considerar o pão-do-nosso-dia.

Isto tudo para dizer que neste mundo de redes sociais, em que temos 700 amigos no hi5, outros no facebook, twitter, orkut, linkedin e mais uns quantos noutras redes que nascem diariamente relembro uma velha máxima: Amigos verdadeiros bastam uma mão (e talvez nem tanto) e todos os outros são potenciais inimigos.

JUÍZO

Posted in Khritiké with tags on Setembro 14, 2009 by fisbas

juizo

Somos nós seres imaculados, únicos em juízo e de franca opinião. Dotados de inteligência, analisadores do nosso próprio cosmos e criativos por génese natural. Análogos de feição, diferenciados uns dos outros mas de igual ajuização.

Diz a ciência que somos como somos devido à herança genética, às experiencias vividas e ao estilo de vida que levamos. Somos portadores de um desigual carácter. Somos únicos, mas não especiais. Sete mil milhões. É este o número arredondado de habitantes terrestres.

Cada um com a sua visão. Cada um com uma cultura, um estilo de vida próprio, uma personalidade e um juízo sobre o que vê e ouve. Todos têm a sua própria verdade do juízo que escolheram, baseado no seu aprender, na sua experiencia, na sua análise e na projecção do seu futuro. Não há bons e não há maus, todos têm ambas partes, manifestadas ao longo da sua vida e no decorrer da sua existência.

Herdamos a sociedade em que nascemos. Não a escolhemos. Estudamos a nossa história, as doutrinas que nos comandam, as religiões que nos escravizam e as pessoas que nos magicam. Estranhamos, opomo-nos, contestamos e depois aceitamos.

Criticamos o que gostamos e criticam-nos o que não gostamos. Aqui somos livres, democráticos e com voz para idealizar. Ou talvez não, pois de certa forma pensamos o que os outros irão pensar, como será e o que sucederá. Uns têm muito a ganhar com o hastear da bandeira de uma ideia e outros muito a perder. Alguns não têm nada.

O juízo que todos têm é correcto e imperfeito. Uns são do sul, uns do norte e outros do litoral. Preto, branco, cristão, judeu, trabalhador ou chupista social. Várias realidades, um juízo para todos. Não se agrada a inteira multidão.

A crítica dos juízos dos outros reflecte aquilo que nós somos. O juízo nada mais é que a lógica da razão.

FLATULÊNCIA (ou peido)

Posted in Khritiké with tags , on Agosto 12, 2009 by fisbas

flatulencia

O que têm em comum o Papa e a Madre Teresa de Calcutá? E em que se assemelham estes dois personagens com o Michael Jackson, com o Rei de Espanha, o Príncipe do Qatar, a Madonna, o Barack Obama ou o Paul Hewson (Bono dos U2)?

Na verdade estas pessoas têm uma vida social muito pouco semelhante à nossa, servos do dia-a-dia e do trabalho mal pago e mal reconhecido. No entanto somos todos humanos, e como qualquer ser humano que se preze tem de comer. E como tem de comer tem igualmente de se peidar. Sim, o peido é que nos une a todos, pois ao contrário do que se pensa, não nos livramos deles, pois fazem parte da natureza do nosso magnífico sistema digestivo.

Pode parecer estranho falar nestas porcalhadas, mas dá-me imenso gozo comparar divindades, presidentes, príncipes e reis com o desquecido humano.

Mas o que é realmente o peido?

Não é mais do que o ar que engolimos e que segue pelos intestinos. Pelo caminho juntam-se os gases produzidos pelas nossas bactérias de estimação. Em geral a composição não passa de nitrogénio, dióxido de carbono, metano, pequenas quantidades de sulfeto de hidrogénio (gás sulfídrico) e outros gases que possam aparecer  em reduzida quantidade. Os compostos sulfídricos contêm enxofre e quanto mais rica em enxofre for a nossa dieta mais desses gases serão produzidos. Couve-flor, ovos, carne são alimentos que vão provocar peidos mal cheirosos.

É verdade que algumas pessoas não se peidam?

Claro que não. Até os mortos se peidam durante alguns dias após o falecimento.

Quem se peida mais, homens ou mulheres?

Dizem os estudos que são iguais, produzimos cerca de 1 litro por dia e damos cerca de 14 peidos diários. Eu acrescento ainda que na maioria das vezes os homens dão mais nas vistas por gostarem de exagerar no cagaçal de ruído, enquanto as mulheres disfarçam mais (com certeza têm vergonha de algo tão natural, eheh)

De que cor é o peido?

Regra geral são incolores. Imaginem o interessante que era termos cores espalhadas por ai dos peidos que se dá. Teria vantagem para sabermos por onde ir, mas não era bom para os darmos disfarçadamente quando é preciso!

Já vi que leste o artigo até aqui. Se fosse sobre a paz no mundo, a luta contra a desertificação ou sobre matemática paravas a meio…

Boas flatulências a todos!

7

Posted in Khritiké with tags , on Junho 18, 2009 by fisbas

7

Dizem que Deus fez a Terra em 7 dias. Eu cá acho que ele andou cheio de preguiça. 7 dias para fazer este planeta parece-me muito tempo. Já fiz trabalhos de faculdade em menos tempo e cometi tantos erros como ele.

Perdoe-me quem é crente nas histórias bíblicas, mas eu sou uma pessoa das ciências e portanto não me revejo em histórias de criações espontâneas, pragas egípcias ou dilúvios. Um bom dilúvio estamos nós a passar, mas este é puramente económico e social. O meu dinheiro por exemplo dilui-se num instante! E sei muito bem que alguns foram avisados e construíram arcas gigantes onde salvaram o seu rico dinheirinho. Agora esperamos todos que a pomba traga um raminho de oliveira, só depois saberemos que há terra para não nos afundarmos ainda mais. Enquanto isso não acontece temos de navegar à deriva.

Foram 7 longos dias, e como descobrimos isso? Ora, Deus não nos disse nada porque como é óbvio ele não sabe falar. O seu pai, o ‘Pai-de-Deus’, achou que seria melhor não lhe dar cordas vocais, pois se ele já aborrece calado como seria se falasse… Mas nós lá descobrimos que eram 7 dias. Algum génio-maluco passou os dias a olhar para a Lua e reparou no seu ciclo de 28 dias. Reparou ainda que nesse período ela tinha vários aspectos: lua nova, quarto-crescente, lua cheia e quarto-minguante, e como bom matemático que foi dividiu  28 por 4. O resultado é 7. Tcharann, 7 dias.

É precisamente nestes 7 dias que gerimos a nossa vidinha semanária. Embora o Domingo seja considerado o primeiro eu cá acho que é na verdade o último. Segunda é o inicio de uma semana, seja de estudo, trabalho ou de ‘vacances’.

No caso de ser de trabalho acordamos remelosos, andamos meios zonzos e sempre a bocejar. Se tiver sol ainda nos animamos um bocado mas sempre a pensar que o dia é longo e chato. Vamo-nos depois excitando com o passar dos dias até que chega a sexta-feira, onde a animação encontra o seu auge! Nessa noite já podemos tomar café, estar com os amigos, beber uns copos e deitar-nos tarde aproveitando os bons momentos. Depois vem o sábado que é o “re-make” de sexta, por vezes ainda mais árdua e tenebrosa. E finalmente Domingo, onde descansamos – e aqui sim concordo com as palavras bíblicas: “Ao Domingo descansa-se”.

E assim se passa uma semana. Hoje é quinta e já estou ansioso pelo fim do trabalho de amanha, depois mais um ciclo se repetirá… remeloso à segunda, alegre à sexta!